Música na Educação Infantil

Este blog terá o objetivo de decrever e discutir a importância do trabalho com a música na Educação Infantil, bem como descrever sugestões de atividades utilizando a música na Educação Infantil

18

de
outubro

Enquete

Olá pessoal!!!

Como um dos objetivos deste blog é promover discussões em torno do tema "A música na Educação Infantil", gostaria de propor uma questão para que os visitantes do blog possam responder:

Como você utiliza ou poderia utilizar a música em suas aulas?

Obs: Essa pergunta não se restringe a professores de Educação Infantil, mas de quaisquer etapa da educação.

Um abraço

Elaine

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de
outubro

Indicações de sites

Olá!!!

Depois de postar meu longo trabalho sobre “Reflexões sobre a música na educação Infantil” irei indicar alguns sites que abordam tal tema:

http://www.rainhadapaz.g12.br/ensino/edinfantil/educ.musical.htm Neste site vocês encontrarão a proposta de música na Educação Infantil do Colégio Rainha da Paz de São Paulo-SP

www.anped.org.br/28/textos/gt07/gt07213int.rtf Neste site vocês encontrarão um texto denominado “MÚSICA E EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADES DE TRABALHO NA PERSPECTIVA DE UMA PEDAGOGIA DA INFÂNCIA
NOGUEIRA, Monique Andries – UFG”. Para fazer a leitura deste texto vocês deverão salvá-lo no computador.

http://www.faced.ufba.br/~ludus/trabalhos/2002.1/muspresc.doc Neste site vocês encontrarão um texto denominado “A música e a pré-escola”

http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/infancia/G_musica.html Neste site vocês encontrarão um texto denominado “A música e o desenvolvimento da criança”

http://www.estacio.br/campus/ilha/musica_ingrediente.doc Neste site vocês encontrarão um texto denominado “Música-ingrediente essencial na educação Infantil”

Por enquanto são estes os sites que apresentam textos interessantes entorno do tema. Quem estiver interessado fiquem à vontade para ler e postar seus comentários sobre os mesmos.

Um abraço
Elaine

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de
outubro

BIBLIOGRAFIA

BIBLIOGRAFIA:
ALVES, Alda Judith. O planejamento de pesquisas qualitativas em educação. Cadernos de Pesquisa São Paulo (77): 53-62, maio de 1991.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N° 5692. Brasília, 1971.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional N° 9394. Brasília, 1996.
BRASIL. Plano Nacional de Educação. Brasília, 2000.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria da Educação do Ensino Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília, 1998.
BRITO, T. A. Música na Educação Infantil. São Paulo: Peirópolis, 2003.
CRESPILHO, Jaqueline Domenicone. Estudo sobre o significado musical na escola. 1993. Dissertação de Mestrado (Educação) – Universidade Estadual de Campinas. Orientador: Márcia Regina Ferreira de Brito.
DAMAZIO, R. L. O que é criança? São Paulo Brasiliense, 1988.
FRIEDENREICH, C. A. A educação musical na escola Waldorf. São Paulo: Antroposófica, 1998.
FONTANA, Roseli Cação e CRUZ, Nazaré. Psicologia e trabalho pedagógico. São Paulo: Atual, 1997.
FREIRE, Paulo, Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
GAINZA, Violeta Hemsy. Estudos de psicopedagogia musical. São Paulo: Summus, 1988.
HOWARD, Walter. A música e a criança. São Paulo: Summus, 1984.
JEANDOT, Nicole. Explorando o universo da música. São Paulo: Scipione, 1990.
LOPES, Heloísa e LIMA, Arlete Oliveira. A educação artística da criança. São Paulo: Editora Ática, 1986.
LOUREIRO, Alicia Maria Almeida. O ensino de música na escola fundamental. Campinas: Papirus, 2003.
MAHLE, Maria Aparecida. Orientação didática - iniciação musical. São Paulo: Irmão Vitale, [s.d].
NASCIMENTO, Maria Evelyna Pompeu do. Os profissionais da Educação Infantil e a nova lei de diretrizes e bases da educação nacional. In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de. (Orga.). Educação Infantil Pós-LDB: rumos e desafios. Campinas: Autores Associados, 2000
OLIVEIRA, Débora Alves. Musicalização na Educação Infantil. 2001. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
OLIVEIRA, Marta Kohl. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento. São Paulo: Editora Scipione, 2001.
PENNA, Maura. Reavaliações e buscas em musicalização São Paulo: Edições Loyola, 1990.
PORCHER, Louis. Educação Artística: luxo ou necessidade? São Paulo: Summus, 1982.
SALLES, Juliana da Mota e PRADO, Ricardo. Música maestro. Revista Nova Escola. São Paulo, Maio de 1999, Pág. 16 - 20.
SCHAFER, Murray. O ouvido Pensante. São Paulo: Editora da UNESP, 1991.
SILVA, Leda Maria Giuffrida. A expressão musical para as crianças da pré-escola. Caderno Idéias. Campinas, vol.10 (24-29), 1992.
SNYDERS, George. A escola pode ensinar as alegrias da música? São Paulo: Cortez, 1994.
________. Alunos felizes: reflexões a partir de textos literários. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.
STEINBERG, Shirley. e KINCHELOE, J. L. Cultura Infantil: a construção cooperativa da infância. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
SUMIXA, Lilia Asuca. Musicalização na Educação Escolar. 1992. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
VYGOTSKY, Lev Semenovitch. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Editora da USP, 1998.
________. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
________. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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de
outubro

Capítulo 10 (Parte II)

Além disso, a música traz grandes contribuições para o desenvolvimento das crianças, dependendo do enfoque pedagógico do professor, tais como: a criação, a imaginação, a atenção, a socialização, a sensibilização, a reflexão, a percepção e a expressão corporal da criança.
Afinal a música, no contexto da Educação Infantil deve ser compreendida como forma de expressão sensível do ser humano, que se dá em um processo contínuo que envolve perceber, sentir, experimentar, imitar, criar e refletir, concebida como uma linguagem artística.
Entretanto, durante todo este movimento que está acontecendo em nossa sociedade, percebemos que não é somente a escola que não está se preocupando com questões intrínsecas à sensibilidade, à afetividade, à sociabilidade, à brincadeira, ao lazer, à música etc. Atualmente, os próprios pais exigem cada vez mais cedo de seus filhos algo além do que eles poderiam dar naquele momento.
As crianças pertencentes a uma classe social mais favorecida, desde cedo freqüentam inúmeros cursos, que poderíamos chamar de extra-curriculares, como inglês, balé, natação, judô, informática, entre outros, não sobrando tempo para fazer o que gostam e necessitam, como: brincar, ouvir música, ler ou ver um bom livro, pois têm horário para tudo, e normalmente elas não são consultadas sobre o que gostariam de fazer, são forçadas a fazer aquilo que os pais acreditam ser melhor para elas.
Já as crianças pertencentes a uma classe social menos favorecida, que não têm acesso, na maioria das vezes, a cursos extra-curriculares, desde cedo assumem responsabilidades que antes cabiam ao adultos, como por exemplo cuidar da casa, cuidar dos irmãos mais novos etc.
Deste modo, podemos perceber que independente da classe social, as crianças estão sendo abandonadas afetivamente pelos seus próprios pais.
“Na infância pós-moderna, estar sozinho em casa é uma realidade diária. As crianças sabem agora o que normalmente apenas os adultos sabiam: as crianças pós-modernas são sexualmente esclarecidas e muitas vezes experientes; elas entendem e algumas delas já tiveram a experiência com drogas e álcool; e os novos estudos mostram que muitas vezes elas experimentam as mesmas pressões que as mães solteiras que trabalham, como esforçar-se para administrar o estresse da escola, o trabalho em casa e a dinâmica interpessoal da família”(STEINBERG e KINCHELOE, 2001, p.75)

Portanto, as crianças estão se tornando cada vez mais individualistas, agressivas sem a capacidade para perceber, sentir as pessoas que estão à sua volta, e na escola só querem saber de lutar, bater, brincar de matar, brincar com armas de brinquedos, ou transformar os brinquedos em armas. Por isso acredito que algo precisa mudar dentro da escola.
A escola de Educação Infantil precisa assumir o seu compromisso de promover o desenvolvimento da criança como um ser humano social, que tem um corpo inteiro para ser trabalhado, sem se limitar a questões que abrangem apenas o intelecto, o racional, afinal a criança, como já dissemos é muito mais que isso. Ela é um ser social presente e atuante em nossa sociedade.

“A criança não existe passivamente no mundo adulto que a rodeia, mas participa dele no nível, dentro de seus espaços e possibilidades. Nessa participação ela contrasta e conflita situações e valores, adquire hábitos, traduz posturas e idéias em fundamentos existenciais seus, criando sua leitura do mundo e das pessoas… Entender a criança, respeitá-la, significa dialogar com ela, o que também pressupõe o reconhecimento da criança como outro, como sujeito: respeitar os seus impasses, a exploração verdadeira do real, o deslumbramento diante dos objetos, da natureza e das palavras, a espontaneidade de sentimentos e expressão de seus desejos e necessidades.”
(DAMAZIO,1988:44)

Toda esta realidade, que atualmente vivenciamos, faz com que a criança se afaste cada vez mais da música concebida como uma forma de expressão da sensibilidade, portanto a escola de Educação Infantil, sendo uma instituição com o objetivo de promover o desenvolvimento da criança como um ser humano social, deverá integrar o trabalho com a música no trabalho pedagógico da escola, a fim de promover o contato da criança com a música, a ampliação do repertório musical, o conhecimento das características de uma música e possivelmente despertar na criança vontade de fazer, de compor música.
Em se tratando de como este trabalho será realizado, vai depender da instituição de ensino de Educação Infantil, considerando sua estrutura e seu corpo docente.
Podemos observar que as escolas municipais de Educação Infantil do município de Campinas não possuem professores especialistas de música e são raras as escolas que possuem materiais, como instrumentos musicais, por exemplo, para se trabalhar a música com as crianças.
Desta forma, nestas instituições municipais, professores, coordenadores, orientadores pedagógicos e diretores, conscientes da importância do trabalho da música com as crianças, deveriam buscar meios para viabilizar esse trabalho nas salas de aula Educação Infantil, por exemplo: buscar livros que falem sobre o assunto; buscar profissionais que tenham conhecimento sobre o assunto para compartilhá-lo com o corpo docente e pedagógico da escola; adquirir instrumentos musicais para as crianças manipularem e se acaso esta aquisição não for possível pela falta de recursos financeiros, procurar informações de como construir instrumentos com sucata etc.
Já as escolas particulares de Educação Infantil do município de Campinas, em sua maioria, possuem professores especialistas de música e por este motivo, muitos professores polivalentes acabam se ausentando da responsabilidade de se trabalhar a música com as crianças, pois se existe um professor especialista, logo se conclui que somente ele poderá trabalhar com a música.
Neste caso, os professores estariam fragmentando o conhecimento da criança em inúmeras partes, como se a criança tivesse inúmeras caixinhas, nas quais cada uma comportasse apenas um tipo de conhecimento. E, portanto a cada aula que fosse participar devesse abrir uma determinada caixinha. Exemplo: “Agora é aula de música”, então as crianças deverão abrir a sua caixinha de música para depositar os conhecimentos pertinentes a esta área.
Na realidade, percebemos que o conhecimento não é fragmentado, pois ao mesmo tempo em que se trabalha com a música, é possível trabalhar com questões inerentes ao conhecimento lógico-matemático, à língua portuguesa, ao conhecimento da natureza etc.
Sendo assim, o conhecimento não é algo fragmentado em inúmeras partes, portanto, não deve ser trabalhado como se assim fosse. Portanto, os professores polivalentes devem se juntar aos professores especialistas para juntos desenvolverem um trabalho coletivo, abordando o conhecimento como um todo.
Concluindo, seja qual for a realidade, as condições pedagógicas e materiais de cada escola, é possível viabilizarmos o trabalho com a música na Educação Infantil, a partir do momento que se tenha a consciência da importância deste trabalho e se exista a preocupação com a formação e o desenvolvimento de nossas crianças, afinal o objetivo do trabalho com a música não é o de formar musicistas e sim proporcionar às crianças o contato com a linguagem musical, fazendo um mergulho nesse universo de conhecimento que faz parte da cultura humana, a fim de que elas possam se tornar pessoas menos insensíveis, mais sensíveis, menos competitivas, mais cooperativas, mais conscientes, mais críticas, mais humanas. Enfim, pessoas capazes de perceber e valorizar a arte em nosso mundo.

10

de
outubro

Capítulo 10 (Parte I)

REFLEXÕES SOBRE A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Dentro do contexto social que vivemos, de uma sociedade capitalista, percebemos que a Educação Infantil está se voltando quase que exclusivamente para a formação do intelecto do indivíduo e à aquisição de maior número de conhecimentos, portanto, ela não está preocupada com o trabalho dos sentimentos, da afetividade, da sociabilidade, da expressão corporal (corpo e movimento) , pois tudo isto é encarado como algo não objetivo e inoportuno da Educação Infantil.
Desta forma, os professores de Educação Infantil estão priorizando os conhecimentos relacionados ao desenvolvimento do raciocínio, do conhecimento lógico-matemático, da leitura e escrita, estritamente relacionados à parte racional, como se a criança fosse composta apenas de cérebro, não tivesse corpo, sentimentos e não necessitasse de outros tipos de linguagens e formas de expressão, para serem trabalhadas. Isso é decorrência de uma dicotomização do conhecimento, que acaba sendo dividido em dois: o racional e o corporal, no qual acaba se priorizando o primeiro.
A Educação Infantil, segundo a LDB 9.394/96, na Seção II, Art. 29: “é a primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade”
Portanto, a Educação Infantil é responsável pelo ingresso da criança em uma instituição de ensino, na qual irá interagir com um grande número de outras crianças e adultos com o objetivo de se desenvolver integralmente, e a lei é bem clara em relação a isso.
Existem também as diretrizes em relação à Educação Infantil que estão descritas no Plano Nacional de Educação de 2000:

“A educação infantil é a primeira etapa da Educação Básica. Ela estabelece as bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional e da socialização. As primeiras experiências da vida são as que marcam mais profundamente a pessoa. Quando positivas, tendem a reforçar, ao longo da vida, as atitudes de autoconfiança, de cooperação, de respeito e solidariedade, responsabilidade (…) A educação infantil terá um papel cada vez maior na formação integral da pessoa, no desenvolvimento de sua capacidade de aprendizagem e na elevação do nível de inteligência das pessoas, mesmo porque a inteligência não é herdada geneticamente nem transmitida pelo ensino, mas construída pela criança, a partir do nascimento, na interação social mediante a ação dos objetos, as circunstâncias e os fatos”.

Desta forma, não podemos encarar a Educação Infantil como algo banal, sem importância, como um lugar de depósito de crianças, pois ela é de suma importância para o desenvolvimento integral da criança.
Este se refere a uma certa preocupação de se trabalhar o desenvolvimento da criança como um todo, como um ser humano que possui um intelecto, mas também possui, entre outras coisas, sentimentos e um corpo, além das questões psicológicas, emocionais, sociais e afetivas, que devem ser consideradas.
Tal preocupação, é apresentada na LDB 9.394/96 e também nos Referenciais Curriculares Nacionais (1998), que apesar de usar tal terminologia apresentam uma fragmentação do conhecimento, apresentado uma incoerência entre aquilo que se preza como objetivo na Educação Infantil e a forma como os conhecimentos são apresentados no mesmo material, fragmentando os conhecimentos em determinadas áreas específicas e diferenciando os mesmos da formação da criança, como se o conhecimento estivesse separado da formação social e pessoal da criança.
No capítulo “música” do volume três dos Referenciais Curriculares da Educação Infantil (1998), está descrito que o trabalho com a música deve garantir à criança a possibilidade de vivenciar e refletir sobre questões musicais, em um exercício sensível e expressivo.
“O trabalho com a música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e uma forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive aquelas que apresentam necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da auto-estima e auto conhecimento, além de poderoso meio de integração social”.

Desta forma, a inserção da música na educação da criança é de grande valor, pois consiste no processo de auxiliar o desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimento das potencialidades corporais afetivas e éticas, na perspectiva de contribuir para a formação de crianças saudáveis e felizes.
Portanto o professor de Educação Infantil possui em suas mãos uma grande responsabilidade perante estas crianças: a de educar possibilitando o desenvolvimento da criança.
Atualmente é muito comum presenciarmos em escolas de Educação Infantil, crianças sentadas o tempo todo dentro de salas de aula ouvindo o que o professor tem a dizer, sem sair para brincar, realizar atividades artísticas, entre outras que promovam o aprendizado de conhecimentos, como por exemplo, aqueles relativos à linguagem corporal e à linguagem musical da criança.
Outro fato que também é muito marcante nas escolas de Educação Infantil, principalmente nas particulares, é a pressão existente sobre a criança para que ela aprenda a ler e escrever o mais rápido possível, para que se destaque perante as outras da sala e posteriormente às demais de nossa sociedade.
Sendo assim, o professor sobrecarrega a criança com inúmeras atividades e lições de casa para que ela consiga aprender tudo o mais rápido possível. Assim o trabalho pedagógico acaba por priorizar apenas o conhecimento racional, não se preocupando com o conhecimento de outras linguagens que são fundamentais para a formação da criança como um ser humano, como por exemplo, a linguagem corporal e musical.
Conseqüentemente, elementos que seriam imprescindíveis de se trabalhar com as crianças de Educação Infantil, como a sensibilidade, a afetividade, a percepção, acabam sendo deixados de lado e a música, por sua vez, também é excluída desse contexto, pois os professores, de maneira geral que, acreditam que existem coisas muito mais importantes para serem trabalhadas com as crianças.
Atualmente, para a maioria dos professores de Educação Infantil, acreditam que trabalhar com a música seria tempo perdido, pois eles não vêem nenhum objetivo neste trabalho com a música na Educação Infantil, encarando-a como algo banal.
Neste caso, cabe levantar as contribuições que o trabalho com a música poderá trazer para o desenvolvimento das crianças, utilizando como referência a prática dos dois professores de música.
Como pudemos observar, através da prática dos dois professores especialistas de música analisados, o trabalho com a música na Educação Infantil viabiliza a oportunidade da criança conhecer os elementos musicais, assim como também poderá ampliar seu repertório musical, conhecer e manipular diferentes tipos de instrumentos musicais, dependendo dos objetivos de trabalho do professor em questão, de sua concepção e sua prática no trabalho com a música na Educação Infantil.

10

de
outubro

Capítulo 9 (Parte II)

O ser humano para criar esta sensibilidade em relação à música, precisa estar em contato com diferentes estilos musicais, pois esta não é algo inerente ao ser humano. Ela se resume em um processo a ser construído dentro de um espaço de tempo pelo ser humano, com a interação de inúmeras pessoas, e assim podemos afirmar que uma pessoa que ouve diferentes estilos de música possui um conhecimento muito maior em relação à música e neste processo de conhecimento constrói uma maior sensibilidade musical.
Desta forma, é imprescindível que a atividade musical se funde a partir da relação, da interação do ser humano com a música, musicalizando as experiências de vida dispersas e assistemáticas do ser humano, como ouvir rádio, dançar, batucar na mesa de um bar, bater o pé enquanto ouve determinada música, considerando-se estas como formas espontâneas de musicalizar.
A partir dessa concepção não é preciso que o aluno tenha algum talento, ou algum “dom” para fazer música e musicalizar-se, pois este processo depende apenas da prática e da interação do sujeito com a música.
Se colocarmos como condição ter competência prévia para se obter sucesso na música ou até mesmo na escola, de acordo com as experiências culturais e pessoais do ser humano, nós acabaremos por reproduzir as desigualdades sociais existentes em nossa sociedade, na qual apenas aqueles que já apresentam certo conhecimento sobre determinado assunto conseguem ter êxito na escola, enquanto os outros acabam sendo excluídos do processo de ensino.
Na realidade é muito mais fácil e tranqüilo ensinar aqueles que já sabem ou que apresentam certa facilidade para tal. O difícil, e neste caso o mais importante, é ensinar aqueles que ainda não sabem e que apresentam certas dificuldades em aprender.
Nós professores devemos ter em mente que o nosso compromisso deve abranger todos os alunos, sem reproduzir o processo de exclusão de alunos que não possuem determinado conhecimento.
Portanto, nosso objetivo com o trabalho de música, não é simplesmente em trabalhar com aqueles poucos que já sabem, se interessam pela música, mas a forma como entendemos a musicalização, se resume em um processo educacional orientado que se destina a todos.
Sendo a musicalização compreendida como ato ou processo de musicalizar, acreditamos na educação musical como parte inseparável do desenvolvimento do ser humano, pois a todo momento o homem está ouvindo sons das mais diferentes naturezas e com ele interage o tempo todo
Para se desenvolver um bom trabalho de musicalização, nós precisamos considerar aquilo que o aluno traz como experiência, como conhecimento em relação à música.“A vivência real do aluno, por mais restrita que seja não pode ser negada, deve ser o primeiro objeto da ação musicalizadora, como apoio para o salto até horizontes mais altos”. (PENNA, 1990, p.33).
Portanto, a musicalização não deve trabalhar apenas com um padrão musical alheio à realidade dos alunos, impondo-o em contraposição à vivência dos mesmos e sim partir de um repertório musical mais conhecido por eles como ponto de partida do trabalho, sem se restringir ao mesmo e posteriormente ou até mesmo concomitantemente, apresentar outros estilos musicais diferentes daqueles que eles já conhecem e têm o hábito de ouvir.
Sendo assim, os alunos terão a oportunidade de conhecer e escolher um estilo musical próprio que mais se identifique, pois cada um tem o direito de escolher aquele que seja de maior agrado para seus ouvidos, sem que aconteça a imposição de qualquer que seja o estilo musical por parte do professor.
Desta forma, podemos dizer que é possível, algumas vezes, conhecermos características de uma pessoa, a partir do conhecimento do estilo de música que gosta de ouvir.
Ainda tratando da musicalização de crianças, é preciso incorporar dentro deste processo, o momento em que as crianças irão expressar-se criativamente através dos elementos sonoros, pois pelo que percebemos, normalmente aos alunos cabem apenas imitar, reproduzir aquilo que a professora de música pede, sem ter possibilidade de criar, inventar a partir dos elementos sonoros. “Recriar a música é um meio de possuí-la ativamente, ou mesmo criticá-la”. (PENNA, 1990, p.36).
De maneira geral, a musicalização se resume em um momento de educação musical, sendo este significativo, necessário e indispensável ao desenvolvimento de um conhecimento musical sólido, promovendo em todos os alunos um conhecimento artístico, mais específico, neste caso, as questões particulares da música.

“Musicalização - processo educacional orientado que visando promover uma participação mais ampla na cultura socialmente produzida, efetua o desenvolvimento dos instrumentos de percepção, expressão e pensamento necessários à decodificação da linguagem musical (…) a música é o material para o processo formativo mais amplo, dirigido para o pleno desenvolvimento do indivíduo enquanto sujeito social” (PENNA, 1990, p.37)

Sendo assim, cabe à escola, principalmente de Educação Infantil foco de nosso trabalho, proporcionar momentos nos quais as crianças possam interagir com a música, desenvolvendo uma capacidade de ouvir e que tenha por base a posse de conceitos capazes de organizar a experiência sensorial musical, permitindo o desenvolvimento da recepção e percepção musical em proporções significativas, lembrando que a formação, bem como o desenvolvimento destes conhecimentos, são dependentes da experiência, da interação com a música, com o outro e principalmente com objetos sonoros e musicais.

10

de
outubro

Capítulo 9 (Parte I)

BUSCANDO UM CONCEITO DE MÚSICA

Atualmente vários autores têm elaborado diversas discussões procurando definir o conceito de música, que expressam diferentes tipos de concepções.
Para iniciar uma breve discussão sobre o conceito de música fomos buscar no Mini Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, e encontramos no verbete “música” as seguintes definições: “1- Arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido. 2- Composição musical 3 - Música escrita 4 - Conjunto ou corporação de músicos”.
Na busca de tentar ampliar tal conceito, fomos buscar na Grande Enciclopédia Larousse Cultural, material que também traz a definição de vários verbetes, o que esta trazia em relação à música, e encontramos as seguintes definições:

“1 - Arte que permite ao homem exprimir-se por meio de sons. 2 - Qualquer composição musical. 3 - Ciência dos sons considerada no que diz respeito à melodia, à harmonia e ao ritmo. 4 - Reunião de pessoas praticantes de música, que constituem uma instituição; orquestra, fanfarra. 5 - A execução de uma peça musical. 6 - Qualquer conjunto de sons”.

A partir destas definições, percebemos que estas tratam a música como algo bem restrito e superficial, seguindo uma abordagem subjetiva, pois considera-se a música como algo que agrade aos ouvidos, e também como algo que não apresenta nenhum valor em relação ao seu próprio movimento de construção, pois a música é definida aqui como qualquer conjunto de sons.
Então, será que a música pode ser vista apenas como algo subjetivo?
É justamente neste ponto que queremos enfatizar: a emoção, a sensação que a música evoca nas pessoas, afinal é impossível ouvirmos uma música, seja ela de que estilo for, e esta não desencadear nenhuma sensação, ou emoção.
A música, especificamente, carrega uma carga sensorial emotiva, mas ela não pode ser resumida, ou mesmo caracterizada, levando-se em conta apenas a sua característica subjetiva.
O conceito de música é muito mais amplo, pois ela é uma linguagem que precisa ser interpretada. É preciso buscar um sentido, uma significação.
De acordo com PANNAIN (1975), ela define música como “arte de combinar sons e formar com eles melodia e harmonia”, mas esta definição também não está totalmente adequada e completa, pois segundo BRITO (2003) “nem toda música é constituída por melodia e harmonia”.
BRITO (2003), faz uma discussão muito interessante e pertinente em relação ao conceito de música, abordando também a concepção de KOELLREUTTER (1987), músico alemão (Freiberg 1915), que em 1937 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor do Conservatório Brasileiro de Música (1938) e fundou o grupo Música Viva (1939).

“A música é uma linguagem, posto que é um sistema de signos”, afirma Hans-Joachim Koellreutter. Música é uma linguagem que organiza, intencionalmente, os signos sonoros e o silêncio, no continuum espaço-tempo. Para Koellreutter, na música se faz presente um jogo dinâmico de relações que simbolizam, em microestruturas sonoras, a macroestrutura do universo. Ele considera que a linguagem musical pode ser um meio de ampliação de percepção e da consciência, porque permite vivenciar e conscientizar fenômenos e conceitos diversos”(BRITO, 2003, p.26).

Falar sobre música não é apenas falar sobre os parâmetros do som.

“ (…) As características do som não são, ainda, a própria música. Mas a passagem do sonoro ao musical se dá pelo relacionamento entre sons (e seus parâmetros) e silêncios.
“Música não é melodia, ritmo ou harmonia, ainda que estes elementos estejam muito presentes na produção musical com a qual nos relacionamos cotidianamente. Música é também melodia, ritmo, harmonia, dentre outras possibilidades de organização do material sonoro”.(BRITO, 2003, p.26)

A partir deste início de discussão é possível imaginar como existem várias concepções em relação ao conceito de música, segundo vários autores.
Com base nestas concepções, meu conceito de música é que esta é uma linguagem, uma forma de expressão, com características próprias, que se dá através de uma seqüência de sons, com o propósito de ser ouvida.
O propósito de ouvir, ou até mesmo produzir uma música tem de existir, pois, por exemplo: uma pessoa que martela um prego em um pedaço de madeira produz uma determinada seqüência de sons, mas neste caso ela não está intencionada em compor uma música e sim em trabalhar, pregar o prego na madeira.
Portanto, neste caso o som produzido não é uma música e sim apenas resultado do atrito no prego com a madeira. Já em uma situação em que uma pessoa segura uma lata de lixo de metal e através da batida intencional de sua mão na lata, produz uma seqüência de sons, que podemos considerar neste caso, um momento de produção musical.
A música é encarada como uma linguagem artística estruturada e organizada, que está presente o tempo todo em nossas vidas e, como uma forma de arte, ela se caracteriza como um meio de expressão e comunicação entre pessoas de uma mesma comunidade, entre comunidades e também entre nações, enfatizando o caráter cultural que a música apresenta. Afinal em cada música nós podemos encontrar características e conhecer um pouco mais sobre o compositor, o cantor e até mesmo o país de origem.
Através da música nós podemos comunicar uma idéia, relatar uma situação do cotidiano, um sentimento…enfim, como meio de expressão, a música faz parte da vivência humana e está presente no mundo inteiro, sem excluir raça, gênero ou até mesmo religião.
Neste processo de comunicação que a música estabelece com o outro, se revela uma experiência pessoal do ser humano com a música, de forma que esta se torne parte do mesmo, parte de sua história, de sua cultura, desde os primórdios da civilização, como vimos.
Não podemos negar de forma alguma que a música sensibiliza o ser humano, mas precisamos deixar claro que esta sensibilidade não é algo comum a todos e também não se resume no aspecto mais importante em se tratando da relação entre a música e o ser humano. “ Ser sensível a música não é uma questão mística ou de empatia, não se refere a uma sensibilidade dada, por razões de vontade individual ou de dom inato, mas sim uma sensibilidade adquirida, construída num processo” (PENNA, 1990, p.21).

10

de
outubro

Capítulo 8 (Parte II)

No Brasil, estas propostas ganharam corpo com a Escola Nova, que dava importância à arte na educação, para o desenvolvimento da imaginação da criança, proporcionando a livre expressão infantil.
A Semana da Arte Moderna, em 1922, trouxe novas maneiras de entender o fazer artístico, contestando aqueles que não considerassem a expressão espontânea da criança, provocando uma grande revolução no campo artístico.
Na década de 1970, a disciplina de música passa a integrar, juntamente com as artes plásticas e o teatro, a disciplina educação artística estabelecida pela lei nº 5.692/71 em seu artigo 7º: “Será obrigatória a inclusão de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e Programas de Saúde nos currículos plenos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus, observando quanto à primeira o disposto no Decreto lei nº 869, de 12 de setembro de 1969”
Desta forma, a música passa a ser considerada como uma entre as diversas formas de expressão artística, sendo que esta atualmente, não apresenta um papel importante, de acordo com a concepção e a postura de alguns professores, e por isso sua inclusão no elenco das disciplinas obrigatórias, quando isto acontece, pode ser interpretada como uma concessão à tradição humanística, de acato a autoridades educacionais, que está presente na educação brasileira.
De acordo com as minhas experiências, a música acaba sendo totalmente deixada de lado na disciplina de Educação Artística, para o Ensino Fundamental e Ensino Médio, priorizando apenas a arte visual.
A minha experiência, assim como a de outras pessoas que estudaram em escolas públicas na década de oitenta e noventa, com a disciplina de Educação Artística durante o Ensino Fundamental se resumia apenas a arte visual, pois passei oito anos de minha vida escolar desenhando e pintando.
No Ensino Médio, quando cursei a disciplina Metodologia do Ensino de Artes, pude vivenciar algo relacionado à arte teatral, quando tive a oportunidade de criar junto com minhas colegas de classe, duas apresentações teatrais, que marcaram a minha vida escolar, pois até hoje consigo me lembrar perfeitamente, do quanto me envolvi com este trabalho.
Neste caso, percebemos que a música não se fez e não se faz presente na maioria das escolas estaduais de Ensino Fundamental e Ensino Médio do município de Campinas, na prática da disciplina de Educação Artística.
Em relação à Educação Infantil, podemos encontrar várias escolas particulares do município de Campinas que têm aulas de música com professores especialistas. Já nas escolas municipais de Educação Infantil do mesmo município, não encontramos professores especialistas de música e por isso, a maioria dos professores polivalentes da Rede Municipal de Campinas não realizam por diferentes motivos que irei discutir posteriormente, o trabalho com a música na Educação Infantil.
É preciso considerar a existência hipotética, que até o momento desconheço, de alguns professores polivalentes da Rede Municipal de Campinas que desenvolvam algum trabalho em relação à música com seus alunos, não generalizando todo o grupo de professores.
Portanto podemos concluir que, de maneira geral, o trabalho com a música atualmente só está sendo viabilizado na grande maioria das escolas particulares de Educação Infantil e algumas de Ensino Fundamental também particulares do município de Campinas. Já em escolas municipais e estaduais da Educação Infantil e Ensino Fundamental a música é deixada de lado, não se fazendo presente no currículo e nas salas de aulas destas escolas.

10

de
outubro

Capítulo 8 (Parte I)

A MÚSICA EM UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

Pelo fato de estarmos trabalhando muito com o conceito da música, acreditamos que seria importante retratarmos o mesmo em uma perspectiva histórica.
A palavra música vem do grego “mousiké” e significa “arte das musas”, em conjunto com a poesia e a dança.
Nas civilizações antigas, os gregos atribuíam aos deuses sua música, a qual era concebida como uma criação e expressão integral do espírito. A música era encarada como uma forma de alcançar a perfeição.

“A paixão dos gregos pela música fez com que, desde os primórdios da civilização, ela se tornasse para eles uma arte, uma maneira de pensar e de ser. Desde a infância eles aprendiam o canto como algo capaz de educar e civilizar. O músico era visto como o guardião de uma ciência e de uma técnica, e seu saber e seu talento precisavam ser desenvolvidas pelo estudo e pelo exercício. O reconhecimento do valor formativo da música fez com que surgissem, naquele país, as primeiras preocupações com a pedagogia da música”. (LOUREIRO, 2003, p.34)

Para os gregos, a música era de suma importância para a formação do ser humano e por isso a instrução deveria ultrapassar o caráter estético. Como disciplina escolar, tinha como objetivo, proporcionar a medida dos valores éticos, tornando-se uma sabedoria para esta sociedade.
A educação, para os gregos, possuía uma função mais espiritual que material, pois era concebida como uma relação harmoniosa entre o corpo e a mente, com o objetivo de preparar o cidadão para participar e usufruir dos benefícios da sociedade.
O objetivo principal da educação dos gregos era a formação do caráter do sujeito e não simplesmente a aquisição de conhecimento, buscando uma educação plena do ser humano, vinda de dentro de cada sujeito, baseando-se na vida de cada pessoa e não simplesmente em livros.
Neste caso, os gregos buscavam uma educação através do equilíbrio entre o corpo e a mente, através da música e da ginástica, na qual a ginástica se destinava ao trabalho com o corpo e a música com a alma. Desta forma, a música era fonte de sabedoria, sendo indispensável à educação do ser humano.
Após a invasão do Império Romano, essa concepção de educação se altera, pois as emoções e o sentimento de humanidade, característicos dos gregos, não se adequavam à formação dos soldados romanos, que deveriam ser educados para serem duros, rígidos, disciplinados e severos.
Durante a Idade Média, a Igreja Católica demonstra grande interesse pela música, incluindo-a nos cultos cristãos, acreditando que ela fosse capaz de exercer forte influência, dominação sobre os homens e com isso a música recupera, ao longo do tempo, sua linguagem expressiva de sentimentos humanos pautada na concepção grega, como ciência e como arte.
Os jesuítas, no processo de escolarização da juventude européia, utilizaram a música como um recurso principal na busca da formação do bom cristão, por isso, até o final do século XVIII, a educação musical foi praticada com fins estritamente religiosos.
Pestalozzi e Froebel, herdeiros das concepções de Rousseau, defendem uma educação baseada no respeito à natureza humana, enfatizando a importância da sensibilidade no desenvolvimento da razão, cuja experiência antecede a aprendizagem, e assim, a música começa a se livrar da sua prática restrita aos fins religiosos.
Devido a esta ênfase na sensibilidade no processo de educação e construção do ser humano, abre-se um caminho para a educação musical mais voltada para a prática do que para a teoria.
No Brasil, o ensino de música esteve estritamente ligado aos primórdios do processo de colonização, tendo seu início com a vinda dos jesuítas que educavam os indígenas musicalmente para o desempenho destes nas missas, promovendo assim a doutrinação da Igreja Católica entre os índios. Desta forma, a música se restringia a fins estritamente religiosos.
Em 1759, com a expulsão dos jesuítas, a educação brasileira começa a sofrer mudanças, influenciada pela educação portuguesa, na qual a música se faz presente.
No século XVIII, no Rio de Janeiro, é criada uma escola de música para os filhos de escravos, de onde saíram vários músicos.
Nas escolas em que se formavam os professores de música, existia um repertório musical que apresentava, de forma subentendida, idéias, valores e comportamentos da elite dominante. Portanto, o canto era utilizado como forma de controle e integração dos alunos, sendo assim, os aspectos musicais não tinham tanta importância.
No século XIX, a educação musical apresenta duas vertentes: do ensino formal, praticado dentro do contexto escolar, como no Imperial Conservatório de Música, onde se preparavam indivíduos para atuar em funções específicas, como em igrejas e teatros; e do ensino informal, praticado em diferentes lugares informais, preparando indivíduos para atuar em espaços não-formais, como salões e salas da sociedade carioca da época.
Influenciados pelo movimento escolanovista, no século XX, o ensino de música na Europa sofreu mudanças e uma delas foi a formulação de propostas inovadoras para o ensino de música.

10

de
outubro

Capítulo 7 (Parte III)

O segundo professor não trabalhou com a atividade denominada bandinha, mas em suas aulas, proporcionou vários momentos nos quais as crianças tiveram a oportunidade de tocar diferentes instrumentos, sendo assim, acredito que estas atividades conseguiram suprir os objetivos recorrentes ao trabalho com a bandinha na Educação Infantil, em relação apenas ao conhecimento e manipulação de diferentes tipos de instrumentos.
Em relação ao conteúdo e até mesmo aos temas das aulas, pudemos perceber que o segundo professor de música apresentou uma preocupação muito grande em relacionar e trabalhar nas suas aulas com temas e conteúdos que estavam sendo trabalhados em sala de aula pelos professores polivalentes, interessando-se por desenvolver um trabalho coletivo com os demais professores da escola.
Já a primeira professora, não tinha a mesma preocupação, pois ela não abria tal possibilidade de realizar um trabalho coletivo, acreditando que na aula de música só poderia se trabalhar com questões referentes à música, fato este que acaba fragmentando o conhecimento em diferentes áreas e atualmente o que buscamos em educação é o trabalho do conhecimento como um todo.
Neste caso, enfatizamos a riqueza do trabalho pedagógico, quando este é desenvolvido coletivamente por todos os professores pertencentes ao corpo docente da escola, pois este viabilizará uma aprendizagem significativa para as crianças e também para os professores que aprenderão muitas coisas, com a troca de conhecimentos que se dará entre todos os profissionais envolvidos.
Um fato comum na prática dos dois professores, foi que ambos trabalharam com os elementos musicais, como por exemplo: altura, intensidade, duração, timbre, melodia, harmonia e ritmo.
A primeira professora se prendeu mais na questão da altura e do ritmo. Já o segundo professor trabalhou também com a intensidade, a duração e o timbre dos sons emitidos por diferentes instrumentos musicais.
Desta forma, podemos perceber que a primeira professora não conseguiu fazer com que as crianças se envolvessem com a música, pelo fato de não proporcionar a manipulação de instrumentos musicais, dando ênfase a atividades nas quais as crianças apenas reproduziam as ações da professora.
Este fato se reflete ao conhecimento que esta professora tem a respeito do desenvolvimento da criança, a sua experiência e a concepção que a mesma apresentou no momento da entrevista.
Neste caso, ficou evidente quando a professora descreve no seu planejamento, os objetivos a serem trabalhados com as crianças de acordo com a faixa etária, em relação à presença marcante do trabalho com a coordenação motora, relatado anteriormente, dentre os objetivos específicos, evidenciando o desconhecimento por parte da professora em se tratando do desenvolvimento da criança, mais especificamente da coordenação motora.
Como vimos, existe uma infinidade de possibilidades de trabalho, que ficou explícito nas aulas do segundo professor, que possibilitou em suas aulas um envolvimento bastante interessante das crianças com o universo musical, através da utilização de variadas estratégias, colocando-as em contato com diferentes tipos de instrumentos musicais e atividades com as quais as crianças se envolveram de corpo inteiro, conseguindo fazer com que elas começassem a perceber o mundo sensivelmente com profundidade sob o prisma da linguagem artística.

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