Música na Educação Infantil

Este blog terá o objetivo de decrever e discutir a importância do trabalho com a música na Educação Infantil, bem como descrever sugestões de atividades utilizando a música na Educação Infantil

10

de
October

Capítulo 1

A PRESENÇA DA MÚSICA EM MINHA VIDA

Desde pequena, a música foi algo que sempre chamou a minha atenção, pois gostava muito de cantar músicas, principalmente aquelas que aprendia na escola, para as quais adorava inventar gestos e dramatizar.
Também aquelas músicas que tocavam na televisão em programas infantis, como o da Xuxa, da Angélica, da Eliana, do Bambalalão... etc me atraíam bastante.
A pressão da mídia era e ainda é muito grande sobre as crianças, tentando fazer com que todas elas gostem das mesmas coisas, das mesmas músicas, das mesmas brincadeiras, buscando uma grande massificação da cultura infantil.
Pelo que me lembro, na escola de Educação Infantil não tínhamos muito contato com o fazer, produzir, construir, sentir a música. O que tínhamos eram alguns momentos, muito raros, em que a professora ensinava algumas músicas infantis tradicionais, como por exemplo: “Meu lanchinho/, Caranguejo não é peixe/, Ciranda cirandinha/, Atirei o pau no gato”.
Durante todo o tempo em que estive na escola de Educação Infantil em que estudava na década de oitenta no município de Campinas, nunca tive a oportunidade de tocar algum tipo de instrumento, nem mesmo fazer uma apresentação, ou algo do gênero relacionado à música, portanto, a música não era um conhecimento presente no ambiente de Educação Infantil, o qual freqüentava.
Desta forma, o lugar onde podia desenvolver esta minha paixão pela música era em casa. Nunca vou me esquecer do pianinho de brinquedo que ganhei de aniversário quando fiz um ano e pude brincar com ele até aos seis anos de idade, pois tornara-se o meu brinquedo preferido. Adorava ficar tocando, apertando teclas, cada vez, cada momento numa combinação diferente. O que mais me atraía era o som que ele produzia, mesmo sem saber tocar qualquer música.
Assim como a grande maioria das crianças, quando tinha oito anos, passei por “aquela” grande febre da Xuxa. Naquela época, gostar dela era tido como algo imprescindível na vida das crianças. Portanto, se você era uma criança, logo deveria gostar da Xuxa, saber cantar todas as suas músicas, comprar roupas, brinquedos e acessórios. Naquela época, cheguei a acreditar que música era apenas aquilo que a Xuxa cantava.
Naquela situação, eu, ou melhor, eu e meus pais, não éramos consumidores de discos, brinquedos acessórios e roupas da Xuxa. Meus pais me deram apenas dois discos da cantora, os quais tenho até hoje. Não posso dizer que guardo estes discos porque gosto muito da Xuxa, que sou uma grande fã, mas pelo fato de que quando quero me lembrar de algo de minha infância, sempre gosto de ouvir algumas de suas músicas, principalmente a música “Ilariê”, do terceiro disco, afinal estes dois discos que ainda tenho fazem parte da minha história de vida.
Acredito que nesta época me prendi muito às músicas da televisão, principalmente aquelas de programas infantis, pois era com isso que tinha mais contato, esta era a minha realidade.
Na minha família, não tínhamos o costume de ouvir músicas, eram raros os vinis que meu pai e minha mãe possuíam, isso porque eles nunca tiveram uma paixão pela música, acredito que nenhum dos dois nunca tivera a oportunidade, nem ao menos interesse em tocar algum instrumento musical.
Atualmente, as crianças, em sua grande maioria, também só têm contato com as músicas que estão sendo expostas na mídia, e por isso acredito que o papel da escola seria o de possibilitar para as crianças um contato com estilos musicais diferentes, saindo deste conceito superficial de música.
Conforme o tempo foi passando e fui crescendo, comecei a ampliar meu universo musical, pois comecei a ter contato com outros tipos de músicas, através de amigos, dos meus primos, enfim das pessoas do meu convívio social em geral, mas nunca através da escola. Principalmente na adolescência, uma etapa da minha vida que ainda se apresenta como algo recente em minha memória, iniciou esse contato com diferentes estilos musicais.
Imaginem se esse contato com diferentes estilos musicais tivesse acontecido desde a Educação Infantil, com certeza atualmente teria um conhecimento e um envolvimento muito maior do que tenho hoje em relação à música.
Neste sentido, acredito que a escola de Educação Infantil tem a função de apresentar outros estilos de músicas, diferentes daqueles que as crianças já têm contato em seu meio social, através da mídia.
A mídia, em sua grande parte, tem uma grande colaboração em relação aos estilos musicais. É incrível a maneira como, a maioria dos programas de televisão, principalmente os de auditório, divulgam a imagem de certo cantor ou cantora, certa música, a fim de fazer com que todas as pessoas, de tanto ouvirem, acabem por assimilar mecanicamente uma música, que apresenta uma letra, uma composição que na maioria das vezes não traz um conteúdo adequado para as crianças.
Desta forma, grande parte da mídia está preocupada em promover a figura do cantor ou da cantora, sem levar em consideração, entre outros fatores, as pessoas que estão por detrás desta produção musical que eles apresentam na televisão.
A música é encarada em uma parte da mídia e conseqüentemente pela grande maioria das pessoas de nossa sociedade como um produto para ser consumido, exacerbando a venda de CDs, promovendo a imagem dos artistas que se transformam em cantores perante a televisão, divulgando junto com a música coreografias limitadas, que são copiadas, imitadas por todos os que assistem a este tipo de programa, principalmente pelas crianças.
De acordo com o contato que fui mantendo com a música, pude selecionar aqueles estilos que mais gosto de ouvir, aprender a cantar, ou simplesmente sentir a música. Nunca me aventurei a tocar, porque sempre acreditei que nunca iria conseguir decifrar aqueles risquinhos (como chamava as partituras quando criança) e também porque, além desta minha paixão pela música, também tenho pela dança, pelo movimento, pelas práticas corporais. Então desde minha infância, comecei a freqüentar academias de dança, onde já fiz balé, jazz, dança de rua, ginástica rítmica e atualmente ainda dedico uma parte do meu tempo à dança, fazendo dança de salão.
Afinal, esta paixão pela dança, pelo corpo, pelas práticas corporais, é algo muito forte, não sei se mais do que pela música, mas que também carrego desde criança.
Penso que em relação à dança, às práticas corporais, tive mais oportunidades para desenvolver e trabalhar, tanto na escola, como na vida social, colocando em prática tal paixão. Meus pais também sempre me incentivaram a freqüentar aulas de balé, jazz e eles adoravam me assistir em apresentações tanto da escola como da academia de dança.
Já em relação à música isto não aconteceu, eu manifestava sim um interesse, assim como pelo dança, pelo corpo, mas acabei por não me dedicar ao estudo da música.
Isto aconteceu porque no lugar onde moro, em um bairro próximo ao centro do município de Campinas, era mais comum, quando era criança, os pais levarem suas filhas para fazerem aulas de dança, em especial balé e jazz, a levarem para estudar música.
Na década de 1980, quando era criança, não existia nenhum lugar próximo da minha casa que trabalhasse com a música, ao contrário da dança e das práticas corporais, pois existia uma academia na rua atrás da minha casa, o que facilitou meu acesso. Atualmente existem mais duas academias de dança, ao passo que em relação ao estudo da música, não existe nenhum lugar próximo da minha casa que desenvolva tal trabalho.
Portanto, penso que se tivesse tido a oportunidade de estudar algum instrumento, com certeza teria desenvolvido conhecimentos em relação à música que hoje não possuo.

















Filed under: Sem categoria I

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